domingo, 27 de maio de 2012

Dona Certeza

Minha musa minha querida
Por onde andas na minha vida?
Quando lhe vejo
Só tenho tempo de lhe dar um beijo
E já desaparece
Como quem diz "Me esquece"
E então quando menos espero
Mais ainda te quero
Nesse pique-esconde do amor
Quem realmente brinca comigo
E a razão?
Ou a emoção?
Com um sorriso no rosto então
Faço mais uma questão
Para não faltar
Talvez ate exaltar
A duvida nossa de cada dia
Em fim
Bom dia!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Hedonismo

Amor e dor
Sofrimento e rancor
Membros entorpecidos
E muita mais dor
Maconha para o corpo
Pilulas para a alma
Pó para manter o espirito acordado
Um sonífero para se entregar ao nada
E fugir dessa manada
De homens alegres na infelicidade
E infelizes na alegria
Drogas para me tirar da letargia
Me encher de energia
E me fazer ver a real  magia
Desse mundo que ninguém quer ver
Ai quem sabe com isso eu venha a aprender
Como melhor viver
E fazer de cada dia puro prazer.



domingo, 20 de maio de 2012

...


Que as flores e meus amigos morram
E que as dores me matem
E que a solidão me desole
Para que alguns dias depois
                           de tamanha tragédia
Eu possa acordar, de ressaca
Querendo flores e amizades

Ode ao nada

Em um universo caótico e ilógico
Procuramos ordem e razão
Sempre em vão
Em vez de nos deliciarmos
Com esses vazios maravilhosos
Ficamos na ilusão de nos acharmos poderosos
Essas preocupações e responsabilidades
Nos prendem as necessidades
Criadas por nos mesmos
Tornam a liberdade uma condenação
e passamos a viver um insustentável peso do ser
enquanto a real felicidade ninguém chega a ver
Talvez o caminho seja um estoicismo esclarecido
De modo que jamais me declare vencido
                                                 



                                             Seria um
                                             Viver por viver
                                              Tendo como fim sempre ver mais um amanhecer
                                              Até que ao fim deixássemos de padecer
                                              Da nossa trágica e heroica
                                              Simplória e grandiosa
                                              Existência.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Vida facil


O caminho da perdição. Não é a mulher. Não é a bebida. E sim meus pensamentos.




Tobaldo era a síntese da malandragem chegava a ser um cliché de si mesmo um desses "Latin lover".Sempre com suas  correntes de prata, uma medalhinha de São Jorge, perfume no ponto ideal de modo que mais uma gotinha tornaria o aroma exalado por Tobaldo insuportável.
Sua vida se dividia no boteco do "tí zé", na quadra do vilarinho, e na boa e velha guaicurus e também na casa de  Cidinha qual devido a seus inúmeros adjetivos merece um paragrafo inteiro em sua homenagem.
      Cidinha tinha dezenove anos nessa época menina pura correta frequentadora da igreja universal muito querida entre os irmãos, vinha de família humilde e trabalhadora,  o pai morrera quando ela era criança de modo que a mãe a criou sozinha, essa era diarista e sempre fez questão de tornar a filha uma mulher integra.
       E realmente Cidinha era tudo que sua mãe queria e muito mais porem o rumo de sua vida mudou ao conhecer Tobaldo, em pleno centro eles se esbarraram por acaso, ele cheirando a pinga e a sexo, ela de vestido florido e de coque , apesar desses dois serem completos opostos não é que Cidinha ficou curiosa com aquele sujeito e o papo entre os dois foi durando e logo marcaram outro encontro e mais outro e mais outro....
        Tobaldo sofria pilheria por parte de seus camaradas, e Cidinha também era reprendida por parte de seus amigos da igreja e pela mãe também, mas quanto mais eram reprendidos maior era a vontade dos dois de se ver.
        Para Tobaldo a fixação por essa menina era algo que o angustiava logo ele rei dos cabarés e dos bailes se via perdido por essa pequena, o que fazer? Como fugir? Por mais que gostasse da moça a ideia de casamento trabalho fixo patroa o esperando em casa apos o expediente lhe dava nauseá só de pensar, ele não parara de ver outras mulheres mas seu sexo não funcionava mais como antes era como se seu próprio corpo se negasse a dar prazer a outras mulheres alem de Cidinha. Nos primeiros meses essa angustia era tolerável. Seu amigo Rubão dizia " e algo que passa e só fase logo logo se cansa dessa mulatinha" mas isso não ocorreu quanto mais o tempo passava mais difícil se tornava para Tobaldo , pois estar com Cidinha significava dizer não a tudo que era  e que sempre foi dizer não a uma vida qual sempre amara, com isso começou a beber cada vez mais e mal comia e ardia com a febre da paixão sem duvida não era mais o mesmo, a alguma solução tinha que chegar algo tinha que fazer. Decidiu que amava mais a liberdade do que Cidinha então em uma manha ensolarada de sábado a levou a um pequeno hotelzinho no centro no qual sempre marcavam seus encontros furtivos, quando ela chegou ao quartinho se deparou com Tobaldo que estava com olhos amarelados e febris e uma cara de panico e dor como jamais Cidinha havia vido em sua curta vida ele pulou sobre ela e a enforcou com a linha do telefone.



                                                                                     

terça-feira, 1 de maio de 2012


Bernardo queria dominar sua cidade. Não sabia por onde começava; não sabia se queria ser médico ou escritor – não que não se visse como advogado. Existiam tantas opções que o atraíam igualmente em todas as áreas do saber que ficava estático, esperando que uma delas vencesse algum tipo de corrida sobre as outras e o tirasse dessa impotência que o devorava.
Sua curiosidade e interesse pelos mais diversos assuntos eram inesgotáveis e por isso não poderia declarar, como todos que conhecia, que nasceu para ser um médico – ou advogado ou escritor. Suas ações eram como uma colcha de retalhos: não se completavam, ou sequer faziam o menor sentido entre si.
O que Bernardo de fato apreciava era a diversão e a decadência moral, e sua cidade era o palco perfeito para seus desvios. Via a cidade como um monstro colossal, desconhecido, pronto para ser explorado pelos mais intrépidos aventureiros que o mundo moderno tem para oferecer. Veja bem, Bernardo não tinha as melhores qualidades para ser um desbravador da urbanização: morava com sua mãe, vinha de boa família, era tímido, e, no fundo, apreciava os valores morais que tanto gostava de ver ruir na cidade. Porém, isso não o impedia de fazer desse desbravamento a atividade que mais consumisse seu tempo. Ora se encontrava em bares sujos do centro da cidade, em meio à mendigos e todo o tipo de dejetos da seleção artificial cosmopolita; ora estava nos bairros mais nobres da cidade, em lares que considerava como o ápice da arquitetura urbana, conhecendo filhos de empresários e transando com filhas de políticos. Existir em ambos os mundos era extraordinário, afinal, sair da rotina tornou-se um grande problema da vida utilitarista e positivista das megalópoles e Bernardo mal se lembrava da última vez que previu, remotamente, o que faria com seu dia.
Existir em ambos os mundos também implicava que Bernardo não fazia parte, realmente, de nenhum deles. Tinha uns poucos amigos que assim como ele transitavam entre os estratos da sociedade e só. O restante de seu círculo social era composto de conhecidos, mulheres que gostaria de transar, traficantes e subservientes, e a solidão decorrente desse quadro assolava seus pensamentos constantemente – nada grave, intermitentes quadros de tristeza que eram curados por noites de sexo, maconha e cerveja. Mas havia a inquietação, o subproduto do senso crítico afiadíssimo de Bernardo (ora, relacionar-se com pobres e ricos desperta o ceticismo e cinismo em qualquer um) que fazia com que a cada moça que desejasse, a cada cerveja que bebesse, cada baseado que acendesse fosse impregnado com dúvidas existenciais, políticas e ódio de si – o motivo de toda estranheza e falta de jeito de Bernardo. Cada vontade era examinada diversas vezes e a ação resultante era contaminada de incerteza, profundo desejo de aprovação e descrença profunda na esperança de que um dia poderia ser feliz, dado que tudo que fazia era automaticamente examinado de modo cruel por seu cérebro.



continua...